domingo, 23 de novembro de 2025

Como é bom aprender um instrumento

Quando criança eu queria ser saxofonista, mas não segui por esse caminho. Conforme fui crescendo, uma opção foi se mostrando mais acessível: o violão.

Sempre tem alguém tocando violão por aí. Na igreja, numa roda de amigos, na praça... E em casa havia um violão! Pedi para aprender a tocar esse instrumento e... meus pais decidiram me colocar para estudar violão erudito. 

Fiz uns dois anos das benditas aulas. Eu me perguntava quando que começaria a tocar as músicas que eu gostava... até que pedi para parar, porque o que estava aprendendo não fazia nenhum sentido para mim.

Alguns anos se passaram e veio uma mudança para Uberlândia. Com um pouco mais de maturidade, entendi que queria aprender violão popular. Pedi para fazer aulas e minha mãe me apoiou. A gente se dedica quando faz algo que gosta! Eu tocava todo dia, até não aguentar mais de dor nos dedos. Devagar fui melhorando no acompanhamento e também fui encontrando o meu jeito de cantar. Nada espetacular... só o suficiente para as minhas necessidades.

Numa evolução natural, comecei a estudar guitarra, mesmo sem gostar tanto quanto de tocar violão. Aí tive alguns problemas em casa. Meu pai tinha certeza que se continuasse por esse caminho iria querer tocar em uma banda e, depois, viraria um drogado como qualquer músico (na cabeça dele). Minha mãe, muito perspicaz, condicionou eu ter uma guitarra a continuar me dedicando aos estudos.

Meu pai estava certo em uma coisa: uma andorinha só não faz verão. Não sei como ele via algo negativo em uma imagem tão bonita como uma revoada de andorinhas... A música pode ser algo muito particular, mas coletivamente é transformadora. Para um adolescente tímido, tocar um instrumento é uma forma bem eficaz de se aproximar das outras pessoas. O violão me ajudou muito com isso.

Fiz o 2º Grau na Escola Estadual Messias Pedreiro. Era uma escola grande, de boa qualidade, com muita gente e, consequentemente, muitas tribos. Lá conheci pessoas legais e bons músicos. Tem gente que, mesmo sem contato, admiro até hoje. E sim, participei de algumas bandas com amigos de lá.

Acho que não chegamos a dar um nome para a primeira banda que participei. Éramos Paula e eu nas guitarras, Rafael Medina nos vocais, Itamar na bateria, e sua irmã, Maíra, quebrando um galho no contrabaixo às vezes (ela era um pouquinho mais velha que a gente, então presumo que já tinha outras preocupações ou responsabilidades). Até então, Paula e eu não éramos bons na guitarra, apenas gostávamos muito de tocar e compartilhávamos uma paixão pela Legião Urbana. Itamar era bom, mas na época ainda nem tinha bateria. Rafael estava engatinhando nos vocais. Alguns anos depois, tanto o Itamar como o Rafael participaram de bandas bem legais de Uberlândia.

Pouco tempo depois comecei a tocar na igreja, por convite de um amigo que fiz também no Messias. Além da igreja, também tocávamos "no mundo". Essa passagem merece um texto à parte, mas vale o registrar que foi o período que mais cresci como músico. Havia o compromisso de ensaiar, tocar várias vezes na semana, com várias composições diferentes de banda (apesar de a base se manter ao longo dos anos). Logo de cara, abandonei a guitarra e comecei a tocar contrabaixo. Sobravam guitarristas e, sinceramente, eu não era bom o suficiente. Também tocava violão quando possível ou necessário.

Comecei a faculdade e, tirando o compromisso de tocar na igreja, fui tocando cada vez menos. A minha saída da igreja não foi tranquila e perdi muito da vontade de tocar com outras pessoas. Havia outros interesses, outras preocupações e um caminho para seguir.

Tocar um instrumento foi muito importante na minha adolescência e juventude. Aos trancos e barrancos, sigo tocando um pouquinho: quando dá, quando o barulho da criançada ou da televisão não atrapalha, quando eu não atrapalho o estudo ou trabalho da família, ou quando o horário ainda permite - uma dificuldade de se morar em apartamento. 

Falando nisso... vou ali tirar um som!

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